O tratamento da hanseníase em Passos continua como uma referência no Brasil. Pioneiro nos estudos sobre a doença, o Núcleo de Assistência, Ensino e Pesquisa em Hanseníase, da Fundação de Ensino Superior de Passos (Fesp) tem mais de 1 mil pacientes tratados desde 1982. A ação é uma parceria da fundação com a Netherlands Leprosy Relief Brasil (NLR Brasil) e a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG).
Segundo o médico dermatologista Carlos Alberto Faria Rodrigues, que está à frente do núcleo, o diferencial em Passos e em algumas outras cidades da região é que o serviço de atendimento ao hansênico é descentralizado, a cargo de funcionários do Programa de Saúde da Família (PSF). A iniciativa facilita a detecção da doença e permite um acompanhamento mais próximo do paciente. “Antes, as cidades possuíam apenas um estabelecimento que ficava responsável pelo tratamento e o paciente é que tinha que se deslocar até o local. Desta maneira, a detecção da doença ficava difícil e a população contaminada não era tratada em sua totalidade”, conta.
Atualmente, em Passos há 30 pacientes em tratamento. O processo, chamado polioquimioterapia, consiste na utilização de 12 cartelas de medicamento que duram 28 dias. Após o término, o paciente já recebe alta. De acordo com Carlos, somente no núcleo cerca de um 1 mil pacientes já foram tratados ao longo de 28 anos.