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Amigos para sempre, por Issa Farah

08/02/2010 - 13h45
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Folha da Manhã

É muito gostoso falar de alegrias, de sol, de coisas boas e tudo aquilo que faz com que os dias pareçam melhores. E até precisamos disso. Como precisamos! Mas não podemos ignorar a vida, seus atalhos, seus buracos, suas pedras que nos machucam e dificultam nossa caminhada. Não podemos fingir que a tristeza não existe, nem fugir dela e nem pensar que certas coisas só acontecem aos outros. Estamos todos expostos ao sol e ao céu...

Outro dia, ao ler um artigo do palestrante Roberto Shinyashiki, quando ele prestava sua homenagem a Zilda Arns [grande responsável por tornar este mundo mais humano e por expandir infinitamente o significado da palavra Solidariedade], o mesmo me sensibilizou tanto que, data vênia, peço permissão ao mesmo para transcrever aos prezados leitores:

“Infelizmente, a Dra. Zilda Arns, coordenadora da Pastoral da Criança, faleceu. Zilda Arns foi uma grande pediatra e médica sanitarista. Fundou a Pastoral da Criança, entidade que acompanha quase dois milhões de gestantes e crianças brasileiras e cujos métodos estão presentes em 20 países. Fundou também a Pastoral da Pessoa Idosa e foi uma das grandes líderes humanitárias do nosso tempo. Há muito tempo a morte de uma pessoa não me deixava tão triste. Mas eu não quero permitir que a tristeza seja maior que a minha admiração por ela e sua obra. Hoje eu quero apenas aplaudir, com emoção e saudade, tantas coisas que todos aprendemos com sua sabedoria. Por isso, querida Zilda: quero aplaudir pelas crianças que você salvou; quero aplaudir pelas mães que você orientou; quero aplaudir pelos líderes que você formou; quero aplaudir pelo movimento que você criou. Querida Zilda, sei que você não viveu em busca de aplausos. Mas a minha gratidão é tão grande que o mínimo que posso fazer agora é aplaudi-la e desejar, do fundo do meu coração, que mais e mais brasileiros, e também os não brasileiros, se mirem no seu exemplo, pois essa é a melhor forma de homenageá-la e continuar sua obra: ajudando as crianças e as pessoas carentes. Que cada um viva em amor, como você viveu, para que então a vida faça mais sentido. Querida Zilda, é muito difícil me conformar com a sua partida. Busco entender porque Deus levou você tão cedo... Mas só me conforto mesmo quando me lembro de uma história que uma amiga me contou, quando eu lamentava a morte do também querido Ayrton Senna. Eu me perguntava porque Deus tinha de levar uma pessoa tão especial, em vez de tantas outras maldosas, que por aqui ficaram. E essa amiga me perguntou: - Quando você entra em um jardim para colher uma flor, qual você escolhe? A mais bela! Eu respondi. Deus também escolhe as flores mais belas. Ela completou. Dona Zilda Arns é, sem dúvida, uma das flores mais belas do jardim do Senhor. Com carinho, gratidão, amor e profunda admiração”.

Ao transcrever o texto acima gostaria de fazer das palavras de Shinyashiki as minhas para homenagear dois amigos que semana passada partiram: Prof. Reinaldo Barboza e Patrick. Apesar de serem de gerações diferentes, ambos deixaram cravados em nossos corações o espírito de bondade, lealdade, amizade, coisas que jamais esqueceremos. As pessoas que realmente amamos são imortais, pois mesmo depois da morte, continuam vivas em nosso coração!

As famílias que encontrem nas boas lembranças força para continuar a caminhada! A vocês, Reinaldo e Patrick, que descansem em paz ao lado de Deus e de seus familiares que desta vida também partiram. Amigos, podem ter certeza, deixaram muitas saudades para todos nós! Separados de corpos, mas unidos em pensamento, seremos prova de nossa eterna amizade.

Fiquem todos com Deus.

ISSA FARAH escreve quinzenalmente aos sábados nesta coluna.

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Última Edição Publicada: 07/09/2010

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